Deputada federal Rosana Valle (PL-SP), cotada para o Senado por São Paulo em 2026

Rosana Valle: a deputada do PL em São Paulo que virou aposta do partido para o Senado

Deputada federal Rosana Valle (PL-SP), cotada para o Senado por São Paulo em 2026
Foto: Congresso em Foco

Enquanto o noticiário político dedica boa parte da atenção às movimentações em torno da família Bolsonaro no Distrito Federal, o Partido Liberal também aposta em nomes femininos de outros estados para ampliar sua presença no Congresso e nas urnas em 2026. Um dos exemplos mais consistentes vem de São Paulo: a deputada federal Rosana Valle, que constrói há dois mandatos uma trajetória baseada em atuação legislativa concreta e proximidade com a Baixada Santista.

Antes da política, Rosana Valle construiu carreira como jornalista em Santos, o que ajuda a explicar a proximidade que mantém até hoje com a imprensa local e com as demandas do litoral paulista. Eleita deputada federal pela primeira vez em 2018, com mais de 106 mil votos, migrou para o PL e, em 2022, ampliou a votação para mais de 216 mil votos, tornando-se a deputada mais votada da Baixada Santista e do Vale do Ribeira. Em março de 2026, recebeu da Assembleia Legislativa de São Paulo o Colar de Honra ao Mérito Legislativo, a mais alta comenda da Casa, em reconhecimento por ter direcionado cerca de R$ 1 bilhão em recursos para obras e projetos da região, entre eles a recuperação da Ponte dos Barreiros. Ao receber a honraria, parlamentares da própria Alesp destacaram publicamente sua persistência em conseguir resultados práticos para uma região historicamente carente de investimento federal.

Um projeto de lei que ganhou repercussão nacional

Em junho de 2026, Rosana Valle apresentou o Projeto de Lei 2.767/2026, que amplia a proteção penal contra maus-tratos a animais. A proposta estende a todas as espécies as penas hoje previstas apenas para cães e gatos pela chamada Lei Sansão, de dois a cinco anos de reclusão, e cria agravantes de até dois terços na pena quando o crime envolve tortura, lucro direto ou indireto, ou a produção e comercialização de vídeos mostrando maus-tratos contra os animais.

A proposta foi motivada por um caso que causou indignação nas redes sociais: o de uma mulher investigada por produzir vídeos de tortura contra animais e vendê-los a comunidades de zoosadismo na Europa. Como a legislação em vigor não previa punição adequada para esse tipo de conduta, a suspeita acabou liberada após ser levada para prestar esclarecimentos, o que a deputada apontou publicamente como uma lacuna que favorece a sensação de impunidade e precisa ser corrigida pelo Congresso.

PL Mulher e o projeto Mais Por Elas

Além da atuação legislativa, Rosana Valle preside o PL Mulher em São Paulo e é a criadora do projeto Mais Por Elas, iniciativa voltada a estimular a participação de mulheres em espaços de poder e de representação política dentro e fora do partido. A deputada também ocupa a vice-liderança da bancada do PL na Câmara dos Deputados e a segunda vice-presidência da Comissão de Viação e Transportes, funções que ampliam sua influência interna no partido além das fronteiras do estado de São Paulo.

Esse conjunto de atribuições explica por que o nome de Rosana Valle circula com frequência crescente entre lideranças do PL quando o assunto é ampliar a presença de mulheres conservadoras em cargos de maior projeção nacional, e não apenas nos bastidores da administração pública ou em mandatos regionais.

Uma pré-candidatura ao Senado em avaliação

O próprio presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, já confirmou publicamente que o nome de Rosana Valle está entre os avaliados pelo partido para uma das vagas ao Senado por São Paulo em 2026, ao lado de outras alternativas em discussão na sigla. Pesquisas de intenção de voto divulgadas ao longo do último ano mostraram a deputada com desempenho competitivo diante de nomes de partidos aliados, reflexo, segundo ela própria, do reconhecimento por uma atuação parlamentar pautada por transparência e compromisso com resultados concretos para sua base eleitoral.

Independentemente do desenho final da chapa paulista, a trajetória de Rosana Valle ilustra um movimento importante dentro do campo bolsonarista: o de descentralizar a liderança feminina do partido, hoje concentrada majoritariamente em nomes do Distrito Federal, e reconhecer o trabalho de deputadas que constroem base própria em outras regiões do país. Para o eleitorado conservador paulista, ter uma representante com histórico consolidado de entrega de recursos e de projetos de impacto social pode ser um diferencial relevante na disputa por uma vaga no Senado em outubro.

Por que essa trajetória importa para quem acompanha o campo conservador

É comum que o noticiário sobre mulheres do PL se concentre quase sempre nos mesmos nomes, ligados diretamente à família Bolsonaro e ao Distrito Federal. O caso de Rosana Valle mostra que essa liderança feminina é mais ampla e mais plural do que costuma aparecer nas manchetes: ela chegou à política pela via do jornalismo e da militância local, construiu uma base eleitoral própria na Baixada Santista antes de se aproximar do PL, e hoje ocupa posições de comando dentro da bancada nacional do partido, da Comissão de Viação e Transportes ao PL Mulher paulista.

Esse tipo de trajetória interessa particularmente a quem quer entender como o bolsonarismo pretende se renovar nos próximos ciclos eleitorais: não apenas mantendo os nomes que já são conhecidos nacionalmente, mas também abrindo espaço para lideranças regionais que conquistaram reconhecimento por atuação concreta, como uma comenda legislativa por obras entregues ou um projeto de lei que resultou de indignação popular real. Se a pré-candidatura ao Senado avançar, Rosana Valle pode se tornar, em 2026, um dos nomes femininos mais relevantes do PL fora do eixo Brasília-família Bolsonaro.

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