Michelle Bolsonaro e Bia Kicis confirmadas candidatas ao Senado pelo PL do Distrito Federal

Convenção do PL-DF confirma Michelle Bolsonaro e Bia Kicis candidatas ao Senado

Michelle Bolsonaro e Bia Kicis confirmadas candidatas ao Senado pelo PL do Distrito Federal
Foto: Jovem Pan

A convenção estadual do Partido Liberal no Distrito Federal, realizada no último domingo (2 de agosto) no Parque da Cidade, em Brasília, confirmou oficialmente as pré-candidaturas de Michelle Bolsonaro e da deputada federal Bia Kicis ao Senado pela unidade federativa. As duas devem compor a chapa de apoio à reeleição da governadora Celina Leão (PP), em uma aliança que reúne o PL, o Republicanos e o PP na disputa pelo Distrito Federal em outubro.

A confirmação encerra semanas de expectativa em torno do nome de Michelle, levantado publicamente por aliadas como a senadora Damares Alves e a própria Celina Leão desde o final de julho, mas que dependia de uma etapa decisiva: o aval direto do ex-presidente Jair Bolsonaro, marido de Michelle e principal referência do PL nacional.

Como a decisão foi tomada

Dias antes da convenção, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, havia deixado claro que a palavra final sobre a candidatura de Michelle caberia a Jair Bolsonaro. Segundo relatos publicados pela imprensa após reunião entre Valdemar e a ex-primeira-dama em 31 de julho, ela teria dito que resolveria o assunto com o marido e daria uma resposta até domingo. Valdemar resumiu a situação afirmando que a decisão final caberia ao próprio Bolsonaro.

A definição chegou dentro do prazo combinado. Michelle não esteve presente fisicamente à convenção: passava por exames médicos em um hospital de Brasília, em razão de crises recorrentes de migrânea, e por isso enviou uma carta lida durante o evento por um familiar, confirmando a aceitação da pré-candidatura e reafirmando apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro.

Aliança com Bia Kicis e apoio a Celina Leão

Com a confirmação, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis passam a ocupar as duas vagas destinadas ao PL na chapa de apoio a Celina Leão para o governo do Distrito Federal. A movimentação havia sido antecipada no sábado (1º de agosto), durante o evento de lançamento da própria pré-candidatura de Bia Kicis ao Senado, quando a deputada leu uma mensagem de Michelle confirmando a decisão e a governadora Celina reforçou o convite à união das forças conservadoras na capital federal.

Celina destacou, na ocasião, a importância de as legendas aliadas caminharem unidas rumo à eleição de outubro, evitando a fragmentação de votos entre candidaturas conservadoras concorrentes no Distrito Federal, uma preocupação recorrente em disputas estaduais onde o campo de centro-direita tende a lançar múltiplos nomes fortes ao mesmo tempo.

Bia Kicis chega à disputa com currículo próprio, independentemente do peso do sobrenome Bolsonaro na chapa. Formada em Direito pela Universidade de Brasília, foi procuradora do Distrito Federal por mais de duas décadas antes de se aposentar no cargo de subprocuradora-geral e migrar para a política. Eleita deputada federal em 2018 e reeleita em 2022 com mais de 214 mil votos, tornou-se a primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), considerada a mais importante da Câmara por analisar a admissibilidade de propostas de emenda à Constituição e de pedidos de impeachment. Essa trajetória institucional é um dos argumentos usados internamente pelo PL para justificar sua indicação como cabeça de chapa ao lado de Michelle.

O que vem a seguir

Com as pré-candidaturas oficializadas na convenção estadual, o próximo passo é o registro formal das candidaturas junto à Justiça Eleitoral, dentro do calendário fixado para as eleições de outubro. A convenção também marcou o primeiro encontro público entre Michelle e o senador Flávio Bolsonaro desde o desgaste relatado entre os dois nos bastidores da pré-campanha presidencial, o que reforça a leitura de que o PL busca demonstrar unidade da família Bolsonaro e das lideranças femininas do partido antes do início oficial da corrida eleitoral.

Para o eleitorado conservador do Distrito Federal, a chapa que reúne Celina Leão ao governo e Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ao Senado sinaliza a tentativa do campo bolsonarista de consolidar protagonismo feminino na disputa local, em um ano eleitoral que também terá a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro como pano de fundo nacional para as articulações estaduais. A expectativa agora é de que outras convenções estaduais do PL, marcadas para as próximas semanas em diferentes partes do país, sigam o mesmo movimento de reforçar candidaturas femininas ao Senado e às assembleias legislativas.

Vale lembrar que, até a formalização deste fim de semana, a candidatura de Michelle era tratada como praticamente certa pelos bastidores do partido, mas dependia do aval pessoal de Jair Bolsonaro para deixar de ser apenas um nome especulado e se tornar uma decisão oficial do PL. Essa exigência, feita publicamente por Valdemar Costa Neto, reforça o papel que o ex-presidente ainda exerce sobre as principais decisões eleitorais da legenda, mesmo cumprindo prisão domiciliar e afastado das disputas diretas.

Como leitoras que acompanham de perto o campo conservador, vale registrar que a confirmação de duas mulheres para as duas vagas do PL ao Senado do Distrito Federal é, também, um recado sobre o momento atual do partido: cada vez mais, a legenda tem apostado em rostos femininos para ocupar posições de maior visibilidade eleitoral, e não apenas papéis de apoio às candidaturas de líderes homens. Resta acompanhar, nas próximas semanas, como o eleitorado do Distrito Federal reagirá a essa aposta e se a união anunciada na convenção se manterá firme até a votação de outubro.

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