
A família Bolsonaro ganhou mais um capítulo na corrida eleitoral de outubro. Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro por sete mandatos consecutivos, foi oficialmente lançado como candidato ao Senado por Santa Catarina durante a convenção estadual do PL, realizada na Arena Opus, em São José, na Grande Florianópolis, no último sábado (1º de agosto).
Em seu discurso, Carlos deixou claro o tom da campanha ao declarar: “Eu sou Jair Bolsonaro, o sangue de Jair Bolsonaro corre nessas veias”. A frase resume a estratégia adotada pela família: apresentar as candidaturas de 2026 como uma extensão direta da trajetória política do ex-presidente, mesmo diante das restrições que hoje recaem sobre ele.
A convenção contou com a presença de Flávio Bolsonaro, hoje o principal nome da família na disputa presidencial, e também exibiu um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro, que segue em prisão domiciliar. O material usava imagens de 2018, incluindo cenas do atentado a faca sofrido por ele naquele ano, com áudio de um discurso de 2019 — uma montagem que reforça simbolicamente a presença de Jair no evento, mesmo sem ele poder participar fisicamente da convenção.
Carlos não chega sozinho à disputa catarinense. A deputada federal Carol De Toni também foi oficializada como candidata ao Senado pela outra vaga do estado, enquanto a reeleição do governador Jorginho Mello foi homologada pela coligação. Completando a movimentação da família na convenção, Jair Renan Bolsonaro, outro filho do ex-presidente, lançou sua candidatura a deputado federal por Santa Catarina.
A aliança política que sustenta essas candidaturas é ampla: a convenção reuniu uma coligação de oito partidos — PL, Novo, Podemos, PSDB, Cidadania, Republicanos, Democracia Cristã e Agir —, mostrando o tamanho do esforço de articulação da direita catarinense em torno dos nomes ligados à família Bolsonaro.
A escolha de Santa Catarina não é por acaso. O estado é historicamente um dos redutos mais fortes do bolsonarismo no Brasil, com votações expressivas para Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais anteriores. Ao levar Carlos para disputar o Senado justamente ali, a família aposta em um terreno já consolidado para reforçar sua presença institucional no Congresso a partir de 2027.
Com Carlos em Santa Catarina, Flávio na disputa presidencial e outros parentes espalhados por diferentes estados, a família Bolsonaro consolida uma estratégia de pulverização geográfica para a eleição de outubro — tentando garantir representação em múltiplas frentes do Legislativo e do Executivo ao mesmo tempo, num movimento que analistas políticos já vêm chamando de “chapa família” nas eleições de 2026.

