
Com a recusa da senadora Tereza Cristina em integrar a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro, e com a ausência de Damares Alves e Michelle Bolsonaro num evento recente da pré-campanha, o PL ficou com apenas duas opções internas de peso para a vaga de vice: as deputadas federais Bia Kicis (PL-DF) e Júlia Zanatta (PL-SC), ambas eleitas na onda bolsonarista de 2022 e reconhecidas como nomes fiéis ao clã.
Bia Kicis chega à disputa com um currículo político consolidado dentro do PL: foi a primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, considerada a comissão mais poderosa da Casa, e é uma das vozes mais atuantes do bolsonarismo no plenário. Advogada formada pela Universidade de Brasília e ex-procuradora do Distrito Federal, ela construiu ao longo do mandato uma imagem de linha dura jurídica dentro do campo conservador, o que a coloca como opção de peso institucional para reforçar a chapa.
Já Júlia Zanatta, deputada por Santa Catarina, representa um perfil mais identificado com a nova geração de lideranças femininas bolsonaristas, com forte presença digital e discurso direto voltado ao núcleo mais fiel da militância. A disputa entre as duas, portanto, não é apenas sobre currículo, mas também sobre qual perfil de vice o PL considera mais estratégico neste momento: uma figura de peso institucional e jurídico, como Bia Kicis, ou uma comunicadora mais conectada à militância digital, como Júlia Zanatta.
A disputa interna ganha relevância também porque expõe a dificuldade do PL em consolidar um nome consensual de vice depois da recusa de Tereza Cristina. Sem um nome de fora do núcleo mais fiel ao clã Bolsonaro topando a posição, o partido se vê obrigado a escolher entre duas deputadas que, mesmo com currículos distintos, compartilham o mesmo capital político: são vistas, acima de tudo, como leais ao bolsonarismo e ao próprio Flávio.
Até o momento, nenhuma das duas teve seu nome oficialmente confirmado, e a decisão final deve depender tanto de articulação política quanto de pesquisas internas do partido sobre qual combinação de chapa — Flávio e Bia Kicis, ou Flávio e Júlia Zanatta — teria melhor desempenho eleitoral, sobretudo entre o eleitorado feminino, um dos públicos que a campanha mais busca ampliar.
Para o público que acompanha de perto as mulheres do campo bolsonarista, a disputa entre Bia Kicis e Júlia Zanatta é um capítulo a mais de um movimento mais amplo: cada vez mais, são as deputadas e senadoras alinhadas ao bolsonarismo que estão sendo chamadas a ocupar papéis de protagonismo direto nas decisões estratégicas do PL, num momento em que as principais lideranças masculinas do partido — Jair Bolsonaro à frente — estão fora do jogo eleitoral direto.
A definição do nome de vice deve sair nas próximas semanas, e promete ser um dos capítulos mais acompanhados da pré-campanha de Flávio Bolsonaro rumo às eleições de outubro.

